Você, eu e o nosso smartphone

Esse é um texto sobre eu, você e o tempo. Se a gente tem a certeza que uma vez que ele passa, não volta mais, por que teimamos em usá-lo para ficar observando de esguelha a vida das pessoas, ou esperando quase desesperadamente por um feedback legal da última foto que postamos? É meio esquisito isso se a gente for parar para analisar. Essas atitudes não influenciam em nada na nossa vida, na verdade só atrasam.

Faz uns meses que tenho prestado mais atenção no meu relacionamento com esse balangodango que eu carrego para todo lugar. Muita gente fala que o problema não é o smartphone em si. Concordo, né? O coitado sozinho não faz nada. O poder todo está com a gente. Seja ao desbloquear a tela quantas vezes quisermos, acessar as redes sociais em cada intervalo de tempo mesmo sabendo que não há nada de novo lá ou permitir que o tilintar de uma notificação nos distraia de algo realmente importante. Tudo isso vira um loop sem fim se a gente não tomar cuidado.

Cada um faz o que bem entende com as suas 24 horas, sabe? Mas sei lá… É uma coisa a se conversar em uma roda de amigos. Levar a sério mesmo. Porque para muita gente é normal ficar rolando o feed por horas a fio. Perder sono, prazos e neurônios. Mas não é normal; chegamos nesse ponto através de um processo quase imperceptível. Era realmente para ser desse jeito, sutil, a ponto de virar comum.

O tempo não mudou, mas não posso dizer a mesma coisa da gente, do modo em que estamos levando a vida e a quantidade infinita de informações que tomam nossa atenção minuto após minuto, hora após hora. Se a gente não parar um pouco, respirar fundo e olhar com carinho para os nossos hábitos, a gente corre o risco de um dia abrir os olhos de manhã, olhar em volta e não reconhecer mais a nossa própria vida.

Qual tipo de organização mais combina com você?

O ano era 2018: último semestre da faculdade, Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes, primeiro emprego e TCC. Foi quando me vi em uma espécie de surto devido as inúmeras tarefas, provas, prazos e páginas para ler que decidi que precisava de algo que me ajudasse a dar atenção a tudo que era necessário.

É curioso o fato de que se a gente não parar um pouco para desenhar o que precisa ser feito, quanto mais coisa a gente tem pra fazer, mais difícil é começar. Tive que enfrentar crises, noites sem dormir e realmente chegava a surtar de vez em quando. Tudo isso por querer fazer todas as coisas “de cabeça”.

Tempos loucos exigem organizações malucas.

Tom Peters

Acredito que todos deveriam ter algum lugar para usar como extensão do próprio cérebro porque, por mais que a gente insista, ele nem sempre dá conta de tudo. A gente vê isso nas vezes em que esquecemos que amanhã teria um teste de história, ou que ontem era o último dia para enviar aquele trabalho, ou até mesmo quando marcamos dois compromissos importantes para o mesmo dia, e aí lá vai ter que desapontar alguém.

A questão é que cada um tem seu jeito para a coisa. Existem pessoas muito práticas (papel-caneta) e existem pessoas que gostam de um pouco mais de detalhes (post-it-marcador de texto-Stabilos). E isso também é muito mutável.

Em 2018 eu usei um caderno espiral que eu mesma fazia as divisórias e datas e para mim funcionava super bem. Logo em seguida, no mesmo ano, usei uma agenda. Em 2019 quis experimentar o Bullet Journal (que foi uma experiência um tanto frustrante), daí voltei para a agenda. E em 2020 comecei a perceber que os planners estavam em alta e eu entrei na onda. E hoje… Bem, hoje estou em uma vibe mais digital de organização.

Existem outros meios de se organizar além dos que eu citei, mas reuni aí em baixo apenas os que já usei pois são os que posso comentar de forma mais real sobre. Espero que ajude quem ainda não tem um método, a ver a forma que mais cabe em sua própria rotina. Eu vejo muita gente dedicada que se enrola na própria vida apenas por não ter esse lugarzinho onde colocar as ideias.

Vamos lá então que eu já falei demais.

1º – Agenda

Esse é o modelo mais clássico. Todo mundo sabe o que é uma agenda. Ela já vem pronta com um dia por página e é apenas isso; sem devaneios. E por ser uma página inteira para cada dia, acaba tendo bastante espaço para anotar. Na época que usei, eu me estressava um pouco pois na maioria das vezes as minhas anotações não passavam nem da metade da página, a menos que eu fizesse uma letra gigante. Daí me incomodava o espaço em branco que ficava conforme os dias iam passando.

Nela você escreve todo e qualquer compromisso. Como eu usava uma agenda para todas as áreas da minha vida eu costumava separar por cores para classificar do que se tratava cada compromisso. Por exemplo, marcador verde para trabalho, um rosa para pessoal e um azul para faculdade/curso/escola.

2 – Bullet Journal

A ideia do Journal é para aqueles que fazem questão de um toque mais criativo no processo. Muitas pessoas encontram estímulos quando precisam usar a criatividade. Nesse estilo de organização é você quem cria o seu espaço que pode ser preto e branco ou com muita caneta colorida. É totalmente personalizável e da pra fazer com qualquer caderno em branco.

Foi a primeira forma que usei de organização, mas na época eu nem fazia ideia que era um bullet journal. Mas chegou um momento que eu fiquei de saco cheio de ter que desenhar e acabei comprando uma agenda.

3 – Planner

O planner já vem pronto assim como a agenda. No entanto ele não abrange somente as páginas para colocar as tarefas diárias. Ele vêm com espaço para controle de finanças, programação de viagens, lista de filmes/séries para assistir, espaço para links de sites preferidos, lista de livros para ler e vários outros. Dá para comprar um planner que já vêm com um combo de espaços prontos, ou personalizar de acordo com a nossa necessidade.

O planner é dividido de uma forma onde conseguimos visualizar a semana inteira, não apenas o dia. O que é útil quando queremos dar uma olhada geral no que vemos ter pela frente. Em contrapartida, o espaço para anotar é mais compacto, o que para mim nunca foi problema, mas se você tem muitas tarefas diariamente e quiser muito usar o planner, é bom ir testando umas letras bem miúdas.

A minha experiência com o planner foi bem legal porque eu personalizei com o meu nome e com uma estampa que eu mesma escolhi. E é bacana ter algo assim, bem a nossa cara. Além disso, a própria palavra planner dá um toque mais sofisticado.

O motivo para eu trocar para o modelo digital não foi por não ter me identificado, na verdade o planner foi o que mais gostei. Mas eu tenho a necessidade de carregar a agenda para todo lugar e nem sempre quero sair usando uma bolsa. E se tem uma coisa que não desgruda da gente é o celular. Então apresento a vocês o estilo de organização que estou usando hoje.

4 – Agenda Digital

Essa é a tela da agenda do Google. É exatamente assim que vejo as coisas que tenho para fazer durante a semana. O que faz ter essas cores diferentes são as etiquetas que estão no lado esquerdo. Cada uma representa uma área. Também é possível filtrar por dia, por mês, por ano. É muito completo.

A imagem acima é como funciona o acesso pelo smartphone. Essa é a melhor parte porque posso carregar comigo para cima e para baixo. E a sincronia é automática (se você estiver conectado à internet), então dá pra colocar informações pelo computador e depois acessar pelo smartphone e vice-versa. As funções são as mesmas para computador, celular, tablet.

O único ponto que para mim não é tão legal é a obrigatoriedade de colocar as tarefas por hora de execução. Por exemplo, digamos que eu quero fazer uma pesquisa sobre determinado assunto mas posso fazer isso a qualquer momento do dia. Na agenda do Google eu tenho que definir um horário a força. Então eu tento pelo menos estimar um horário provável.



Com organização e tempo, acha-se o segredo de fazer tudo e bem feito.

Pitágoras

Eu turistei por todas essas formas de organização e hoje, usando a plataforma digital, de vez em quando ainda bate uma saudade do papel e caneta; de escrever uma letra bonita e ir dando os “checks” conforme a execução das tarefas. Mas o modelo digital foi o que mais se encaixou no meu estilo e rotina e é o que me ajuda hoje a não enlouquecer tentando dar atenção à família, namorado, saúde, trabalho, cursos, blog, hobbies e vida social.

Já ouvi de algumas pessoas que esse negócio de escrever o que vamos fazer no dia é coisa de doido. Mas sinceramente, uma pessoa que não se organiza de qualquer forma que seja, ou tem uma vida de pernas pro ar, ou tem uma vida muito zen, sem grandes preocupações. Das duas uma.

Mas e você? Tem alguma área da sua vida que você gostaria de dar mais atenção mas as 24hs que tem nunca é suficiente? Todas os modelos que listei servem para isso: concentrar em um lugar só todas as coisas que precisamos dedicar tempo. E a melhor maneira de iniciar é parar de pensar e começar a fazer. Enquanto a gente tiver vivo, sempre vai ter bagunça para organizar.