Registros de uma vida offline – 2ªSemana

O acordo era passar uma semana sem redes sociais para conseguir focar em coisas que eu vinha procrastinando a semanas devido a minha pseudo falta de tempo. Sete dias se passaram e eu consegui finalizar as pendências. No entanto, algo bastante intrínseco continuou me bloqueando de instalar os aplicativos outra vez.

Hoje – duas semanas depois do acordo – eu percebi que o motivo para o meu receio em voltar é o fato de eu ainda não me sentir preparada para abrir mão da pequena mudança que eu experimentei na minha rotina nesses 14 dias sem Twitter, Instagram e Facebook.

Agora já me sinto confortável em falar a respeito da tal sensação de liberdade que algumas pessoas dizem sentir quando desativam as redes sociais. Como expliquei no primeiro post, os primeiros dias foram no mínimo torturantes e inquietantes. Várias vezes ao dia eu desbloqueava o celular à menção de abrir quaisquer dos 3 aplicativos. Daí lembrava que não estavam mais ali e ficava agitada. Mas hoje, essa sensação de liberdade se faz presente por 4 motivos.

1. Tempo

Foto por St

Antes eu reclamava de falta de tempo, mas despendia horas e horas do meu dia rolando o feed. Agora que não tenho muito o que fazer no celular, é inadmissível que eu continue postergando as coisas. A prova disso é que terminei em dois dias uma tarefa que eu evitei por 3 semanas.

2. Enfrentando o tédio

Foto por Dina Nasy

As horas e horas que eu passava pulando de um aplicativo pra outro quando ficava entediada, hoje tenho que transformar em outras atividades como ler um livro, tocar violão, jogar jogos de tabuleiro com a família, passar um tempo com a minha sobrinha e até mesmo escrever pro blog. São coisas bem mais úteis que ficar preso a uma telinha.

3. Concentração e foco

Foto por cottonbr

Foram só duas semanas mas eu já sinto alguma diferença na forma como eu estudo ou leio algo. Isso acontece porque não existe mais a expectativa de uma nova notificação. Ou a tentação de desbloquear a tela pra dar aquela olhadinha, porque a gente sabe, quase nunca é apenas uma olhadinha. Outro fato que influencia, é que agora a minha mente não é mais bombardeada diariamente por informações aleatórias que não fazem diferença nenhuma na minha vida, mas que causa uma ressaca mental danada.

4. A urgência em aparecer

Foto por cottonbr

Eu nunca fui muito de postar fotos no feed, mas até hoje ainda sinto uma vontade marota de compartilhar alguma-coisa-da-qual-ninguém-se-importa nos stories. Fazer isso já virou rotina e até obrigação na vida de algumas pessoas que trabalham com o Instagram. Mas hoje eu vejo que, pra uma pessoa completamente impopular e anônima como eu, não faz sentido toda essa urgência em mostrar o que tô fazendo/comendo/ouvindo/vestindo.

Não vamos ser radicais, o trecho de uma conversa no WhatsApp, o print da música que estamos ouvindo, ou um boomerang piscando um olho só não faz mal a ninguém. O que me preocupa é o tempo que perdi parando várias vezes ao dia tentando encontrar algo para postar, e o quanto isso fez diferença nenhuma na minha vida.

Não é da conta de ninguém o que você faz com esses aplicativos. Você pode postar foto do que vai comer, foto do seu gato, da sua mesa de estudos, do céu ameaçando chover ou do presente que você ganhou do(a) seu(a) namorado(a). Isso não vai promover muita coisa além de alguns comentários, que provavelmente vai prender você por mais tempo no Instagram. Somos bem grandinhos e assumimos nosso B.O. né?

Mas eu, Ana Luiza, sei que o ímpeto de ter o que compartilhar era algo que me torturava porque, sinceramente, eu nunca tinha algo relevante pra mostrar. Então esse é um dos pontos principais que me faz sentir essa leveza. Sinto falta de postar? Sim. Mas parar de postar baboseira faz muito mais sentindo na minha vida agora, nesse momento. Momento em que tenho planos que preciso realizar antes do fim do ano.

Eu poderia guardar essas coisas só pra mim, mas aí eu surtaria. Então espero que esse texto tenha causado ao menos uma faísca sutil em você, que possa desencadear o desejo de viver essa experiência offline.

PS. Algumas pessoas me perguntaram como eu compartilho os posts nas redes sociais sem entrar nelas. O blog é vinculado a todas as minhas redes.

Até semana que vem. Se cuidem!

Beijos, Lu.

Por que dei um tempo das redes sociais?

Tava com saudade do blog. Faz bastante tempo que não escrevo. Na verdade, faz bastante tempo que não faço qualquer coisa que me traga algum benefício. Queria falar sobre isso. Algo que vem me incomodando muito e que eu sei que escrevendo as coisas ficam bem mais simples.

No último domingo eu desinstalei Instagram, Twitter e Facebook. O porquê? É que o meu dedo tava dolorido de tanto arrastar o feed incansavelmente e a minha cabeça já não aguentava mais tanta informação alheia e desnecessária sobre a vida de pessoas que não me acrescentam nada significativo.

Ufa…

Entre outras coisas, eu tive um mini surto daqueles onde fazemos coisas que nos arrependemos minutos depois. Mas hoje, 4 dias depois de desinstalar os aplicativos, sigo firme e sem arrependimentos. No primeiro dia eu senti várias vezes o impulso de desbloquear a tela pra acessar um dos 3 apps. Isso sem objetivo algum, daí lembrava que eles não estavam mais lá. A sensação era tipo um comichão na mão, um incômodo discreto, onde eu ria de mim mesma quando percebia.

Hoje o movimento automático já não acontece, mas eu ainda sinto falta. Principalmente nos momentos que tô sem vontade de fazer nada. Acontece né? Ninguém é produtivo 100% do tempo. O tédio também é necessário e importante e eu não estava me permitindo ficar entediada. Mesmo sabendo o quanto é útil pra nossa criatividade.

Queria falar algumas coisas que tenho certeza que algumas pessoas vão se identificar e isso talvez venha acompanhado de um certo desconforto. É sobre os motivos que me fizeram perceber que o tempo demasiado que eu passava com o celular estava me prejudicando. Primeiro que o tempo que passamos em frente a tela por si só já é prejudicial pelo simples fato de estarmos com esse brilho direto nos nossos olhos. Constantemente eu sentia um cansaço muito forte na vista, como se eu tivesse passado um longo período lendo (antes fosse).

A minha última foto no feed do Insta é de uns meses atrás, eu realmente não sou ativa nas redes. Mas outra coisa que acontecia muito era a sensação de necessidade que eu tinha em ter algo pra postar nos stories. Eu não entendo bem de onde vem isso. Talvez seja o anseio pra que alguém comente, ou o simples fato de querer mostrar que eu existo. Sei lá. O fato é que eu já tava de saco cheio disso. Hoje, como eu ainda uso o WhatsApp, ainda jogo alguma coisa no status, mas é algo bem mais natural.

Eu sei que muita gente fica doente mentalmente devido a mania de comparar os bastidores da própria vida com a foto editada da tela. Isso graças a Deus não acontece comigo. Seria meio ilógico eu me deixar abalar por coisas que vejo no feed, quando eu lembro das vezes que dediquei toda uma preparação pra que uma foto transparecesse o que eu queria (algo que quase sempre era bastante diferente da realidade).

E por fim, um dos pontos mais delicados da história. O que todos nós deveríamos parar para pensar com carinho: o poder que as redes sociais têm sobre o nosso tempo. Às vezes, eu sentia como se não estivesse no controle da minha vida. Pode soar estranho, mas pensa comigo: você provavelmente já disse ou pensou a frase “estou sem tempo”. Eu já. No entanto, nesse justo domingo de epifania eu abri o analytics de aplicativos do meu celular (uma ferramenta que mostra quanto tempo você gasta em cada app). E então eu me deparei com um belo 5hs e 43min de Instagram. E logo abaixo 2hs e 13min de Facebook.

“Ah, Ana Luiza, mas era domingo, pô. Você trabalha a semana inteira, mó tensão, tem que relaxar também né?” (esse é o diabinho que habita o hemisfério esquerdo do meu cérebro). Sim, isso passou pela minha cabeça. Mas só passou mesmo. Porque gente, vamos combinar, eu nem sequer trabalho com internet. Que diabos eu fiquei fazendo mais de 7hs de tempo nisso? Não foram horas corridas, é claro, são vários desbloqueios de tela no decorrer do dia que me levaram a perder praticamente o domingo inteiro quando eu tenho coisas pra entregar, livros para ler, gato pra cheirar…

Cês tão entendendo o meu desespero? Não?

Se você tem um relacionamento saudável com as redes sociais eu lhe admiro muito, nobre ser humano. Eu mesma já tentei várias vezes. Falhei miseravelmente.

Eu já não podia mais adiar meus compromissos. E como eu conheço as minhas fraquezas – e o mais importante, não tenho vergonha de admiti-las – eu decidi cortar o mal pela raiz. Mas coloquei um prazo de uma semana pra isso, porque esse negócio de nunca-mais-vou-fazer-tal-coisa não funciona comigo. Só faz eu me sentir mais ansiosa e pressionada.

Então é isso. Estou aqui hoje. Quarto dia sem redes sociais. Não é muito tempo, mas pelo menos terminei ontem uma coisa que adiei por quase um mês. Terminei tão rápido que deu vontade de bater a cabeça na parede. Então, queria deixar aqui essa reflexão que me causou dor. Mas é uma dor que eu precisei sentir pra então conseguir me colocar no comando de novo.

Estaria mentindo se eu dissesse que estou em um mar de rosas. Já ouvi gente dizer que logo após desativar os apps, tiveram uma sensação de liberdade. Sei não, ó… A sensação que eu sinto é quase como uma dependência, definitivamente não é agradável. Mas eu sei que passa. E se quando a semana acabar eu não me sentir preparada para voltar, eu não vou voltar. O que tenho a perder? É preferível sofrer sem a vida online do que ver a minha vida real passar sem que eu avance junto.

Não quero mais chegar no fim do dia e me deparar com a mesma sensação de impotência que senti no domingo. Não quero mais isso pra minha vida. Escrevi esse texto sem qualquer preparação, eu realmente precisava colocar pra fora. Deixar registrado aqui essa decisão, até ajuda a manter o foco. E é muito bom poder usar a internet para algo que talvez ajude alguém a ser melhor também.

PS. Agora que me sobra tempo, não irei demorar um semestre pra publicar de novo.

Bjs,

Lu