SOS

Eu tô quase entrando em desespero! Não aguento mais pensar, pensar e pensar e não chegar a lugar nenhum. Eu só queria ter certeza de uma vez por todas sobre o que eu quero pra minha vida. Por que tá sendo tão difícil? Eu não tô me reconhecendo mais. Isso tá consumindo meus dias, sério. Sabe quando a gente fica com o corpo fraco, sem vontade de nada? Pois é, é assim que eu tô. Parece que tô doente. 

Eu já criei o blog. Já escrevi 4 textos lá. Mas ainda assim, tá faltando alguma coisa. Não tô sentindo a faísca. A animação.

Agora a pouco eu fechei sem salvar uma página do Word onde eu estava escrevendo um texto sobre um assunto que eu acho muito interessante, mas no meio do caminho eu parei, encarei a tela e no impulso, fechei o documento e cliquei em não salvar. Tipo (???). Sinceramente, tô de saco cheio dessa situação.

Eu parei de me comparar com outras pessoas. Parei de desejar a vida que elas têm porque eu já aceitei que se elas estão ali é porque teve muita dedicação e sacrifício envolvidos. Não, isso não é mais um problema pra mim. Porém, ontem eu tive mais um daqueles momentos de overdose de produtividade. Fiquei quase uma hora rolando o feed de vários perfis que falam praticamente a mesma coisa. Produtividade, organização e blá blá blá. Nada contra, eu na verdade, amo falar sobre o assunto. mas tá na hora de parar de enfiar esse tipo de conteúdo goela a baixo. Já pesquisei tanto sobre que dá pra compilar em um livro.

Eu tô aqui. As palavras estão saindo do fundo do meu coração como nunca antes e eu realmente tô cansada. E envergonhada.

Quero criar aqui uma espécie de razão pra continuar escrevendo. As palavras sempre me ajudaram a encontrar uma saída. Inclusive na época que meu único problema era conseguir fazer parte do grupo legal no ensino médio. Saudade define.

É… Sempre funcionou e escrever é a única certeza que eu tenho agora.

Monday mornings

O despertador toca às 5hs e eu agradeço mentalmente por ter ido dormir cedo na noite anterior. Ao levantar da cama e entrar no chuveiro a parte mais difícil já passou. Então dou um beijo no homem que dorme ao meu lado, pego chaves e bolsa e saio para a rua.

Alcanço o ponto de ônibus a tempo de pegar um dos primeiro da manhã e consigo um assento. O que é maravilhoso pois me permite ler mais tranquila. 30 minutos e eu desço do primeiro ônibus e aguardo o segundo. Agora o ponto de ônibus já está bastante cheio. Consigo ouvir a conversa de dois estudantes sobre algum teste que fizeram na sexta-feira. Não foi difícil descobrir quem havia se dado mal.

O céu começa a clarear, passando de um azul escuro para um lilás quase rosa. É quando subo no segundo ônibus, que a esta altura está completamente cheio. Não seria um problema ir em pé durante a viagem inteira, não fosse o fato de ter alguém me apertando de todos os lados. Isso é uma das poucas coisas na vida que me tiram do sério. Mas aí, eu respiro fundo e lembro que logo logo pego as chaves do carro.

Quando avisto o topo do edifício onde trabalho me pergunto o que a segunda-feira reservou pra mim. Quais os desafios, surpresas ou frustrações me aguardam? Meus dias no trabalho podem ser qualquer coisa, menos entediantes.

Desço do ônibus e atravesso a rua movimentada. Passo na cafeteira da esquina e peço um expresso para acordar. Sempre funciona. É como se a minha mete só começasse a trabalhar, de fato, depois do café. Entro no elevador e pressiono o botão do andar 37, onde estão concentrados a maioria dos diretores. E antes que a porta se feche eu avisto a minha melhor amiga que por algum milagre chegou cedo hoje.

Chegando no escritório o clima já está tão agitado que eu me pergunto a que horas essas pessoas acordam. Porque eu ainda estou operando no modo lentus.

Minha mesa fica próxima a maior janela, ao lado da sala do executor de finanças, com o qual eu trabalho diretamente como trainee. Não sei se sou grata pela vista da janela ou se reclamo da distração que ela me causa. Ligo o computador e clico no ícone do e-mail e começo a responder. Mas não antes de passar alguns minutinhos a admirar o nascer do sol.