Quando a falta de clareza paralisa

Hoje. Mais um dia em que coloquei o despertador para tocar antes das 6 sem ter planejado nada na noite anterior – reflexo dessa minha fase de total falta de metas. Fiquei em pé na beira da cama, batendo o pé de leve por alguns minutos antes de decidir o que fazer: ler? Estudar? Escrever no blog? Optei pela última atividade por ser a que me exige menos preparação e esforço.

Eu prometi a mim mesma que não iria me livrar de nenhuma tentativa de texto. Mesmo que esse aqui, por exemplo, terminasse nesse segundo parágrafo e sem nenhum assunto importante declarado. Preciso entender que todo e qualquer momento em que eu decido abrir uma folha em branco, é a minha mente querendo falar e me dar mais uma oportunidade de clareza.

Falando em clareza, nesse momento estou em frente a uma bifurcação e a falta de clareza está me impedindo de decidir qual caminho tomar. Qual das minhas duas grandes paixões eu quero transformar em carreira? Eu sei que com foco, paciência, amor e dedicação eu consigo me manter financeiramente, seja qual for a minha decisão. Mas o medo não me deixa decidir. Medo de abrir mão da opção que me faria mais feliz, medo da demora para ter resultado, medo de não dar certo e ter que encarar outra bifurcação mais uma vez. E por fim, medo das consequências da minha própria decisão.

Decisões… Mudanças… O futuro…

Eu adoraria dizer que sou uma mulher-muito-bem-resolvida-obrigada e que a incerteza sobre o futuro não me assusta nenhum pouquinho. Queria poder afirmar em voz alta pra mim e pra todos que eu até gosto dessas coisas, e que apreciar o risco está no meu DNA empreendedor. Piada. Eu me borro toda, essa é a verdade.

A questão aqui é que apesar de parecer, eu não tenho mais 13 anos. Ninguém vai pegar na minha mão e mostrar o que fazer. Eu sei que é normal sentir medo, mas sei também que quando o medo começa a paralisar, é sinal que já passou da hora de rever as coisas – o perigo está instaurado.

A zona de conforto seduz facinho um coração indeciso e em troca ela nos dá o risco de não sair do lugar. E aí pegamos o risco com as mãos, observamos de perto, reviramos ele de todas as formas a procura de uma razão pra não deixarmos a zona de conforto. Aceitar a mediocridade é a decisão mais fácil porque nos poupa energia, mas esse negócio de poupar energia é o modus operandi do nosso cérebro – e isso é outra armadilha que precisamos evitar.

Não sou o tipo de pessoa que só dá ouvidos ao coração, deixando o cérebro de lado. Mas já sei que um cérebro em modo automático não é inteligente, e sim prático. Ele tende a escolher a opção de menor consumo de energia. E se tem uma coisa que consome nossa energia é enfrentar os nossos próprios medos; decidir e encarar os desafios e consequências da nossa decisão.

Então… Vamos lá, né? Porque como diz meu querido pai, eu não estou ficando mais nova a cada dia – eis um encorajamento carregado de pressão, mas que faz todo o sentido. Não preciso correr contra o tempo para decidir, minha vida não depende disso, mas meus sonhos e a minha paz de espírito sim.

Prometo que até o próximo sábado vou estar entrando por um dos caminhos dessa bifurcação.

See u

Lu ❤

Minha história. Seu ponto final

Chego em casa e largo as chaves em um lugar qualquer onde provavelmente vou demorar para encontrar no dia seguinte. A voz dele ainda ecoando na minha cabeça como um despertador irritante. Ele não mediu esforços para deixar claro que não me quer mais por perto. Não consigo evitar me sentir uma tola por ter insistido tanto nesse romance fútil e sem sentido.

O que eu signifiquei pra ele? Ele não soube me responder ou talvez escolheu não responder porque falar em voz alta traria a tona tudo o que vivemos. E ele não quer pensar no passado porque o futuro é mais interessante: tem cabelo longo e 1,60m.

Meu estômago revira só de lembrar o jeito indiferente que ele me olhou essa noite. Brilho apagado, desinteresse. É muito esquisito quando alguém põe um fim na sua história. Uma história que você escreveu com todo o cuidado e amor mundo. E aí chega o dia em que o outro vem e põe um ponto final e no parágrafo seguinte começa uma nova história com alguém. Sem você. Dói e não é pouco. Dá vontade de gritar, qualquer coisa estressa, qualquer coisa é motivo para reclamar.

Minha vida não vai entrar nos trilhos novamente. Não consigo sem ele. Não quero ver ele com ela, como vou aguentar isso? É demais pra mim. Ela nem sabe dos trezentos tipos de alergia que ele tem. Não sabe que ele não suporta que falem alto e também não sabe que eu ainda o amo. Se soubesse o quanto dele ainda existe aqui dentro ela nunca chegaria perto. Ele está totalmente radioativo. Espero que ela tenha cuidado.

Não vai ser tão fácil pra ele também, não. Eu sei disso. Ou será que estou tentando me auto consolar? Sempre tive uma habilidade estranha para sair de situações difíceis sem muitos arranhões, mas dessa vez sinto que bati com o carro e que estou presa no meio das ferragens e qualquer movimento machuca.

Não vou me mover. Não enquanto ele não voltar. Não me importo, podem me dar falta, nota baixa, liguem para os meus pais. Me deixem quieta até que meu cabelo cresça ou até que ele perceba que eu sumi.