A Romantização da Produtividade

Estamos acostumados a ver a produtividade como algo lindo e empolgante. Até certo ponto é. O problema é a camuflagem que algumas pessoas usam para encobrir a parte árdua e desagradável da coisa. Mas claro, cada um tem o direito de filtrar o que bem entender da própria vida para postar nas redes. O Instagram, por exemplo, é uma das principais redes sociais do mundo e a mais prejudicial à saúde mental de quem a utiliza, de acordo com o estudo feito pela instituição Royal Society For Public Health.

Faz sentido não faz? Pois temos que concordar que é mínima a parcela dos usuários que mostram a realidade de suas vidas. E não há nenhum crime aqui. Quem é que cria uma conta de Instagram para postar diariamente o quão difícil tá sendo se dedicar a algum projeto apesar do cansaço, apesar de ser a última coisa que se quer fazer. Quem cria um post especial listando as coisas que deixaram de fazer porque ficaram tempo demais vendo série ou rolando o feed. Quem posta foto sem filtro deixando aparecer as olheiras devido às noites de trabalho estendido?

Uma coisa que tive que aprender na marra é que ser produtivo não é um mar de rosas. O processo não é um mar de rosas. E nos deixar guiar por esses perfis onde tudo é um mar de rosas pode fazer realmente mal. Porque, às vezes, é impossível não se comparar. É automático. “Caramba, olha o que o fulano já fez hoje e eu ainda nem levantei da cama!”. “Nossa, como que essa menina consegue estudar tanto tempo assim?”.

Quem realmente acorda todos os dias, e faz o que se propôs a fazer para alcançar as metas, sabe que a novela é outra. O cansaço é real, a vontade de dormir é constante, as xícaras de café estão sempre à mão e a procrastinação às vezes vence.

O que me faz acordar cedo diariamente e colocar a mão na massa não é o fato de achar legal acordar cedo. Se você conhece alguém que acorda cedo por hobby, me apresente este ser humano de luz. Porque por trás de cada renúncia que faço sempre tem algo maior. Um objetivo, um sonho, um desejo…

Por muito tempo me deixei influenciar por diversos perfis e canais de YouTube. Aqueles Vlogs de rotina são os piores. Eu assistia uns 3 vídeos desse e não conseguia fazer mais nada o resto do dia. Porque é óbvio que eu nunca vou ser igual a essa pessoa que não tem nada a ver com a minha vida. Então pra que se esforçar né?

Depois que entendi – e não faz muito tempo – que ser produtivo dói, parei de buscar a perfeição que a mídia insiste em impor. Aceitar as falhas é complicado mas, necessário porque elas sempre vão existir. O que podemos fazer a respeito é colocar mais lenha quando a nossa chama começar a apagar. Sempre deixar claro para nós mesmos o porquê estamos nos dedicando e lembrar que é difícil agora, mas os anos vão passar e a pergunta que fica é: o mais provável é que você se arrependa de ter feito ou de não ter ao menos tentado?