Minha Luz (Parte 2)

Ela subiu estranhamente rápido demais. Passou pela minha cabeça se ela andou subindo em árvores por aí porque da última vez que a vi fazendo isso ela finalmente conseguiu, mas levou no mínimo 7 minutos para tocar o galho que estamos agora.

Ela pendurou a bolsa em um galho acima e se sentou. A cena é tão bonita e familiar. Ela balançando as pernas no ar ou mordendo o lábio inferior, prestes a dizer alguma coisa. Demorou mais do que o normal. Não que isso incomode. Na verdade olhar para ela em silêncio é de longe o melhor passatempo.

Olhando para o céu ela disse tudo o que eu menos esperava.

– Acho que tô apaixonada. – Assim. Simples e direta. Sem cerimônia.

O sorriso que precedeu a frase continuou e me deixou tonto. Pela primeira vez não consegui encarar. Não sei ao certo que tipo de cara eu fiz ao ouvir isso, mas por dentro nada estava fazendo sentido. Era ela. Ainda era ela. E ainda era nós dois. Como sempre foi.

É amigo que chama, não é? A pessoa que a gente se sente a vontade para falar de qualquer coisa. Para contar as novidades e os desejos do coração. Era isso então? Eu deveria saber. As pessoas ainda dizem que sou inteligente. Como consigo quebrar a cara com uma coisa que eu já sabia que ia acontecer? Encarei meus tênis, o que me pareceu um breve refúgio até perceber que ela esperava que eu dissesse algo.

– Demora quanto tempo mais ou menos para você ter certeza? – Perguntei ainda analisando o laço mal feito do meu tênis. A risada dela me assustou. Se ela não tivesse dado uma risada eu juro que me jogaria dali. Que tipo de pergunta é essa? É claro que o “eu acho” não foi pra valer.

– Bom, faz umas semanas que venho achando isso. Mas agora tá meio óbvio demais, não acha? – Perguntou, balançando as pernas com mais vontade. O movimento estava me dando náuseas.

Na verdade não estava “meio óbvio demais” para mim. Estávamos de férias, quase não a vi o verão inteiro. Vi os dois juntos algumas vezes, sempre de longe, exceto a vez em que ele veio buscá-la na minha casa no dia que íamos terminar a segunda temporada da nossa série preferida. Arrisco dizer que o sujeito não me agrada desde então.

– É… Quer dizer, vocês têm saído muito ultimamente. É natural. Isso poderia acontecer. – Respondi como quem entende alguma coisa de relacionamentos.

Ela dobrou as pernas em frente ao corpo deu um suspirou longo e olhou para o céu. E eu, naquele momento só conseguia pensar que em todo esse tempo estive remoendo um sentimento que era MEIO ÓBVIO DEMAIS não ser recíproco. Porque ela sorri quando está comigo, mas não do mesmo jeito que sorri para a tela do celular quando recebe uma mensagem dele. Ela é linda, mas é para ele que ela passa horas em frente ao espelho, na tentativa de ficar mais linda ainda. Sempre com sucesso.

Ela precisa de mim. Mas não foi uma escolha. Ela escolheu a ele.

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