Você foi a única coisa que acertei

Estava com medo de escrever. Na verdade, estava com medo de só conseguir escrever coisas tristes, de girar em torno de um único ponto e descontar na forma de palavras rancorosas toda a minha frustração.

Sempre que começo a escrever, se o assunto tem uma problemática, procuro achar uma solução. Às vezes, ela surge logo nas primeiras palavras – e então a desenvolvo, mas às vezes é só lá no fim que aparece a tal luz – mas sempre tenho aquela intuição forte de que ela virá e, por isso, sigo escrevendo, sem parar.

Nas últimas semanas, isso não aconteceu. Se eu começava a bater os dedos no teclado ou a riscar o lápis no papel, não surgia nenhuma expectativa de achar um pontinho de luz no meio daquilo. Tomei a decisão de mesmo assim continuar escrevendo. Porque eu sei que, embora não esteja encontrando minhas respostas aqui, eu não estou sozinha.

O que me faz continuar, mesmo sem ter noção do que fazer a partir daqui, é saber que uma hora vai passar. Veja bem, eu realmente não sei quando: às duas da tarde, no momento em que eu for pegar um bombom na cozinha logo após o almoço, ou naquele estalo no meio da noite, às 2h15, quando finalmente abrirei um sorriso e me darei conta de tudo que tenho – e não do que não tenho.

É, não sei mesmo quando vai acontecer. Às vezes torço para que seja daqui a pouco. Nunca é. Mas não sei se há o que fazer com relação a isso, sabe? Apenas sigo daqui enquanto você segue daí. A gente continua indo em frente, mesmo que o humor não seja dos melhores. Como você precisamente observou, eu sou traidora das minhas próprias emoções e, mesmo que eu não queira, às vezes faço questão de me punir em pensamento.

E agora eu me vejo olhando para a parede e tentando conter as lágrimas. A parede, coitada, nem fez nada, é a minha mente que faz questão de mostrar ali uma imagem de mim mesma que já não existe mais, mas que todos os dias eu tento trazer de volta sem sucesso. A mesma imagem que você insiste em dizer que ainda existe.

Estou em um ponto da vida onde não vejo certeza em nada. Acontece, né? E é pesado. Não é fácil, nem de longe. Mas continuamos vivendo – sabemos que temos que fazer isso. Sempre fui do tipo que sente tudo muito intensamente e isso às vezes é ruim. Agora, no final do primeiro texto que eu dedico a você, me dou conta de que mais uma vez minha intuição estava certa. A luz sempre vem no fim das contas. Você foi a única coisa que acertei.