Thank u, next!

Lá se foi mais uma entrevista fracassada. Bem, não que eu tenha feito algo errado dessa vez. Na verdade, não era nada do que eu esperava. A vaga era para Consultor de Vendas, então pensei que seria em uma loja onde eu teria que vender alguns produtos e tudo o mais. Mas não. O negócio funciona mais como aquela velha história de “ah… traga mais pessoas para vender nossos produtos e ganhe mais e mais dinheiro a partir delas”.

Nada contra as pessoas que trabalham com isso ou até mesmo vivem disso. Aliás, achei o produto extremamente interessante e inovador, além dos experimentos que o moço fez ao vivo. O produto em questão é um purificador de água onde se regula eficientemente PH e alcalinidade. Eu sinceramente iria adorar aprender mais sobre e vender, é claro.

Mas, eles pedem R$ 200,00 de investimento para começar a vender com o plano de carreira incluso, caso contrário você será apenas um vendedor autônomo. Ponderei a ideia de começar apenas como vendedora para conseguir os R$ 200,00 para o investimento porque não tenho esse dinheiro agora e pedir para o meu pai não é uma opção.

Eu acredito na minha capacidade para conseguir isso, porém, li inúmeras críticas na internet a respeito dessa empresa que me fizeram visualizar o real impasse. Várias pessoas comentando sobre ser uma farsa onde os responsáveis ganham dinheiro à custa dos sonhos dos outros. Então eu lembrei que logo no início da reunião o moço nos perguntou qual era nosso maior sonho. Respondemos. Na hora não me passou pela cabeça nenhum tipo de segundas intenções naquela pergunta. Mas faz sentido. Eles nos instigam a ver as coisas com outros olhos, a sermos mais ambiciosos, a rejeitar o famoso salário/hora. Nada de errado, certo?

Sou adepta da ideia de que ninguém-merece-o-salário-ganho-por-hora, né? O exemplo dado nessa reunião deixa isso muito claro.

O salário mínimo hoje: R$ 998,00 por mês

998/30 dias trabalhados = R$ 33,26 por dia trabalhado

33,26/8 horas trabalhadas = R$ 4,15 reais por hora trabalhada.

O QUEEEEEEEEEE

Se um empresário aleatório aborda você na rua e lhe oferece R$ 4,15 para você ficar uma hora parado em uma esquina entregando panfletos para divulgar a empresa dele, você aceitaria?

Bom, eu não aceitaria.

Mas se ele viesse até mim e oferecesse R$ 998,00 (UAU, mas são quase mil reais), eu aceitaria, óbvio.

É com grande pesar que carrego a ideia de que a grande maioria vive (ou melhor, sobrevive) com essa renda mês a mês, ano a ano. Tudo bem, há salários melhores, há salários bons. Há empresas que valorizam cada horinha que seu colaborador dedica à empresa. Mas, cá entre nós, não seria tão mais maravilhoso gastarmos nossas energias em atividades que causassem influência direta em nosso próprio negócio?

De acordo com o que foi explicado nessa pseudo-entrevista de emprego, cada um receberia proporcionalmente à sua dedicação nas vendas. Justo. O que também explica o fracasso de muitas pessoas que aceitam o desafio, cruzam os braços e esperam os clientes virem em busca de informações. Meu conhecimento sobre vendas é quase nulo, mas de uma coisa eu sei: produtos não se divulgam ou se apresentam sozinhos.

Enfim. Eu passo essa oportunidade. Estou de volta a base de planejamento. Dezenas de currículos enviados e duas entrevistas até agora. Thank u, next!

Preciso repensar sobre o que eu quero. Dessa vez com mais clareza. Preciso fazer isso logo.

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