Às vezes a gente perde o controle mesmo

Então vamos lá… Dessa vez tem que dar certo. Não tenho muito tempo.

Ultimamente venho errando em todos os aspectos da minha vida. E não estou exagerando, não. Quando lembro da pessoa que eu era, aquela que parecia ser capaz de tudo, sinto uma pontada aguda de vergonha. Acho que as pessoas começaram a perceber a diferença. Como eu pude descer tão baixo?

Não sou mais adolescente. Já está na hora de parar de me comportar como tal. Tenho duas décadas de vida e carrego algumas histórias na bagagem. Romances falidos, mudanças drásticas de opinião, amizades que não deram certo e também as que carrego até hoje.

Vamos começar pelo mais ridículo dos problemas: o encontro da noite passada. Um garoto de 18 anos que ainda está no ensino médio e não sabe usar os verbos no infinitivo. O que é que há? Em que momento da minha curta existência eu decidi que isso pode ser considerado “se distrair”? Foi tão forçado… Tão sem clima. Esse encontro foi prova concreta de que beleza não é tudo.

E aí tem o tópico trabalho. Eu trabalho em um hotel (que por acaso é o que eu sempre quis trabalhar) e na área mais instável e dinâmica: a operação. Na área trabalhavam 3 pessoas: a gerente de operações, a auxiliar e a estagiária (euzinha). Aconteceu que por problemas pessoais a auxiliar pediu demissão e então sobrou gerente e estagiária em meio a loucura que é a operação de um hotel.

Vamos direto ao ponto. Eu não estou dando o meu melhor. E reconheço isso. Durante as 4 horas que trabalho, faço coisas aleatórias que de certo modo precisam ser feitas e até recebo elogios e encorajamentos. Mas não é o suficiente. Não pra mim. Eu vejo a demissão da auxiliar como uma oportunidade, já que não vão contratar outra pessoa, o que me dar mais espaço para agregar ideias e melhorias. Mas ainda assim, não movi um músculo até agora em prol de um destaque maior.

E aí tem o SENAC, uma instituição profissionalizante onde estamos aprendendo rotinas administrativas. As aulas são custeadas pelo hotel e são intercaladas aos dias que trabalhamos. Não lembro o dia exato em que tudo começou a desandar lá dentro. No início eu tinha o respeito dos alunos e dos professores devido ao meu bom desempenho. Mas agora, a professora sequer lembra que sou chefe de turma e alguns alunos fazem até provocações. Não é coisa da minha cabeça, não dessa vez. E eu vou levantar aqui algumas hipóteses a respeito do porquê a minha imagem entrou em uma queda livre.

1º – Comecei a faltar muitas aulas por achar que era perda de tempo estar ali já que tudo o que era dito eu já tinha aprendido na faculdade;

2º Passei a conversar com um número restrito de alunos (na maioria, meninos);

3º O garoto mais bonito da sala (arrisco dizer que é o mais bonito de todas as salas) já deu sinais de que sente algo por mim, e eu, correspondi várias vezes. Isso causou uma certa balbúrdia pois a aluna barraqueira é meio gamada nele. E a cereja do bolo: o tal garoto é o personagem do encontro desastroso citado no início.

Fazer esse diagnóstico foi fácil. Quero ver agora recuperar o respeito e a dignidade.

Eu já escrevi metade de uma tese de doutorado e ainda não falei da parte mais tensa. A faculdade. O lugar onde a energia, o foco e a disposição do início do semestre me parecem surreal agora. Mas uma vez, odeio dizer, não sei como isso aconteceu. Faz mais de um mês que não abro livro algum. Minhas notas não foram ruins mas também não houve nenhum 10. Felizmente isso não é algo comum à minha vida acadêmica e pra quem estudou necas, média 8 tá maravilha.

Mas é incontestável que meu rendimento caiu. Meu melhor amigo já comentou. Há dias venho tentando entender em qual curva eu perdi o controle. Mas tudo não passa de especulação. Preciso agir, tô ficando sem tempo. A ideia de desperdício de tempo me sufoca.

Em menos de um ano vou ser formada em Administração de Empresas. É uma profissão que exige aptidão para resolução de problemas e é isso que vou fazer agora. Tentar colocar nos trilhos essa empresa bagunçada que eu chamo de vida.

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